ALEXANDER RAY TABET

Biografia

Nascido em Paris em 1980

De pai libanês e de mãe americana, Alexandre Ray Tabet vive e trabalha entre Paris e Jericoacoara, no Brasil.

Depois de estudar filosofia, arte e fotografia em Paris, o Alexandre foi assistente durante vários anos do artista Cyprien Gaillard, o que lhe permitiu viajar pelo mundo inteiro e participar ativamente na organização dos projetos do artista.

Tem morado em Salvador da Bahia, Los Angeles e em Nova Iorque, onde trabalhou como produtor de fotografia de moda. Em 2010 regressa à suas origens, à cidade de Paris, onde continua o seu percurso a trabalhar na estética da moda com os mais conceituados fotógrafos do meio.

Depois de dez anos a trabalhar nesta área, decide voltar às origens: a fotografia de paisagem e a fotografia abstrata, sem abandonar a sua obsessão pela estética. Assim nasce a série “The Dust Lifts” (“O pó retira-se”), como se depois de um longo período a navegar em águas longínquas, e já no seu meio original, se retirasse um véu para deixar à vista a verdadeira forma de expressão.

Intenção de artista

Áreas selvagens ou micro-pormenores urbanos, Alex Ray explora os vestígios macroscópicos de espaços maltratados pelos elementos e pelo homem. O seu olhar afasta-nos do imediatismo da imagem que atualmente rege maioritariamente nas nossas vidas, e procura atrair o espectador para uma doce distração, fazendo-o entrar numa paisagem com fronteiras de ficção.

Na contemplação de estas grandes áreas de matéria terrestre, abstratas, poderosas, há qualquer coisa de overview effect: o olhar do astronauta sobre a Terra desde o espaço, a perda de escala e de pontos de referência do seu mundo, e o choque existencialista que acontece a seguir: a sensação do infinitamente grande e do infinitamente pequeno e a insignificância da sua própria existência como ser humano.

A fotografia e a tecnologia atual utilizadas pelo autor permitem-lhe uma agilidade técnica, mas o seu olhar é pictórico. Seduzido pelas vibrações cromáticas e pelo grão das texturas, curioso pela maleabilidade das formas acidentais, os seus quadros são clichés propositados. Observa-se na sua obra o questionamento de um pintor abstrato à procura de uma estética a meio caminho entre as formas e as cores, as dinâmicas espaciais, a intensidade aparente dos gestos e o equilíbrio da composição total.

Esta abstração realiza-se pela força bruta da Natureza e, do mesmo modo que os outros, o artista é uma mera testemunha fascinada.

Ao mesmo tempo, pressentimos a procura humana de uma ordem gráfica, mesmo vacilante, de uma geometria rigorosa, aí onde nem a mão do homem nem a constância da natureza poderiam tê-la criado. E ainda assim…

Estas fotografias mostram-nos que o olhar, fixando-se, pode engendrar espaços dentro de espaços e criar universos inteiros e que são janelas que se abrem a uma outra dimensão.

Betty Rose M.

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